Textos enviados pelos confrades

Caríssimos, como prometido, nesta edição teremos uma série de textos que nos foram enviados pelos nossos confrades. Recomendo a leitura atenta, a vossa posterior meditação e, se assim vos aprouver, deixem o vosso comentário neste espaço que é de e para todos.

Selecionei quatro textos, dois enviados pela Dina Monteiro e dois pelo Carlos Bragança.

A Dina Monteiro enviou-nos um texto do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin (1921) que vos convido a ler pois, para além da importância do autor na cultura mundial, é sempre interessante escutar a voz de alguém, que quase com 100 anos e que viveu muitas tragédias ao longo do século XX e não só, sobre os tempos de epidemia que vivemos. O segundo traz-nos um conjunto de sábias frases. de personalidades diversas, que vos darão muito que refletir.

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Surpreendi-me com a pandemia mas em minha vida estou habituado a ver chegar o inesperado. A chegada de Hitler foi inesperada para todos. O pacto germano-soviético foi inesperado e inacreditável. O início da guerra da Argélia foi inesperado. Eu só vivi pelo inesperado e pelo hábito com crises. Nesse sentido, estou vivendo uma crise nova, enorme, mas que tem todas as caraterísticas da crise. Isto é, de um lado suscita a imaginação criativa e, de outro, suscita medos e regressões mentais. Buscamos todos a salvação providencial, só que não sabemos como.

É preciso aprender que na história o inesperado acontece, e acontecerá de novo. Pensamos viver certezas, com estatísticas, previsões, e com a ideia de que tudo era estável, quando já tudo começava a entrar em crise. Não nos demos conta. Precisamos aprender a viver com a incerteza, isto é, ter a coragem de enfrentar, de estar pronto para resistir às forças negativas. 

A crise nos torna mais loucos e mais sábios. Uma coisa e outra. Grande parte das pessoas perde a cabeça e outras tornam-se mais lúcidas A crise favorece as forças mais contrárias. Desejo que sejam as forças criativas, as forças lúcidas e as que buscam um novo caminho, aquelas a se imporem,  embora ainda sejam muito dispersas e fracas. Com razão podemos nos indignar mas não devemos nos trancar na indignação. 

Há algo que esquecemos: há vinte anos começou um processo de degradação no mundo. A crise da democracia não é apenas na América Latina, mas também nos países europeus. A dominação do lucro ilimitado que controla tudo está em todos os países. Idem a crise ecológica. O espírito deve enfrentar as crises para dominá-las e superá-las. Do contrário somos suas vítimas. 

Vemos hoje instalarem-se os elementos de um totalitarismo. Este, não tem mais nada a ver com o do século passado. Mas temos todos os meios de vigilância a partir de drones, de celulares, de reconhecimento facial. Existem todos os meios para surgir um totalitarismo de vigilância. O problema é impedir que esses elementos se reúnam para criar uma sociedade totalitária e invivível para nós.

Às vésperas dos 100 anos, o que posso desejar? Eu desejo força, coragem e lucidez. Precisamos viver em pequenos oásis de vida e de fraternidade.


Edgar Morin, 99 anos, filósofo

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Existem cinco coisas antigas que são boas:

• Esposas idosas.

• Os velhos amigos para conversar.

• A velha lenha para aquecer.

• Velhos vinhos para beber.

• Os livros antigos para ler.

*Émile A. Faguet*

 

O segredo de uma boa velhice não é outra coisa senão um pacto honrado com a solidão

*Gabriel Garcia Marques*

 

Envelhecer é como escalar uma grande montanha: enquanto escala, as forças diminuem, mas o olhar é mais livre, a visão mais ampla e mais serena.

*Ingmar Bergman*

 

Os primeiros quarenta anos de vida nos dão o texto; os próximos trinta, o comentário.

*Arthur Schopenhauer*

 

Os velhos desconfiam dos jovens porque já foram jovens.

*William Shakespeare*

 

Quando me dizem que estou velho demais para fazer alguma coisa, tento fazer mais rápido.

*Pablo Picasso*

 

A arte do envelhecimento é a arte de preservar alguma esperança.

*André Maurois*

 

As rugas do espírito nos fazem mais velhos que os do rosto.

*Michel Eugene de le Montaigne*

 

O jovem conhece as regras, mas o velho conhece as exceções.

*Oliver Wendell Holmes*

 

Na juventude aprendemos, na velhice entendemos.

*Marie von Ebner Eschenbach*

 

A maturidade do homem é ter recuperado a serenidade com a qual brincávamos quando éramos crianças.

*Frederich Nietzsche*

 

O velho não pode fazer o que um jovem faz; mas faz melhor.

*Cícero*

 

Leva dois anos para aprender a falar e sessenta para aprender a calar a boca.

*Ernest Hemingway*

 

As árvores mais antigas dão os frutos mais doces. 

*Provérbio alemão*

 

A velhice tira o que herdamos e nos dá o que merecemos.

*Gerald Brenan*

 

Um homem não é velho até que comece a reclamar em vez de sonhar.

*John Barrymore*

 

Velho é aquele que considera que sua tarefa está cumprida. Aquele que se levanta sem metas e se deita sem esperança.

*Autor desconhecido*

 

Encaminhe para todos aqueles com quem você se importa!

Eu acabei de fazer isso.

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Os textos enviados pelo Carlos Bragança são bem diferentes: um relembra um divertido episódio ocorrido na nossa AR e outro é um pequena história onde a filosofia e a matemática rivalizam.

Nos tempos politicamente agitados que vivemos  no nosso país, e não apenas devido à pandemia que assola o mundo, o Carlos Bragança lembrou-se de um famoso episódio que ocorreu, em 1982, na nossa Assembleia da República. O "incidente", entre os deputados João Morgado (CDS) e Natália Correia (PSD), ocorreu durante um debate sobre a, então ainda possibilidade, de promulgar a lei da "interrupção voluntária da gravidez". Depois do bate boca, a truculenta poetisa acabou por escrever um poema que se tornou famoso. Vamos recordar?

O segundo, que talvez já conheçam, é uma história contada no livro "Palavras de fogo", de Rajneesh, e visa comprovar que a "sabedoria" prevalece sobre a "erudição". Pormenores matemáticos à parte, não deixa de ser um conto divertido, para além da moral filosófica que dele transparece. O Carlos, igual a si mesmo, termina o mesmo com uma extrapolação para a vida económica/política portuguesa. Mas nada com lerem e tirarem as vossas próprias conclusões.

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O poema "Truca-Truca" foi escrito em 1982, durante o primeiro debate parlamentar sobre a interrupção voluntária da gravidez.

A sessão plenária já ia a meio quando João Morgado, deputado do CDS, afirmou que “o acto sexual é para fazer filhos”.

Natália Correia, que lutava pela despenalização do aborto, inspirada pelas  declarações do deputado, escreveu o poema e pediu a palavra.

Provocou gargalhadas em todas as bancadas parlamentares e a sessão teve de ser interrompida.


Truca-Truca


Já que o coito – diz Morgado

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.


Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou – parca ração!...

...uma vez. E se a função

faz o órgão – diz o ditado –

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.

 

Natália Correia

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É A PROVA DE QUE NEM TUDO O QUE PARECE " É "

O problema dos 17 camelos


Um homem, que tinha 17 camelos e 3 filhos, morreu.

Quando o testamento foi aberto, dizia que: metade dos camelos ficaria para o filho mais velho, um terço para o segundo e um nono para o terceiro.

O que fazer?

Eram dezassete camelos;

Como dar metade ao mais velho' Um dos animais deveria ser cortado ao meio?

Tal não iria resolver, porque um terço deveria ser dado ao segundo filho.

E a nona parte ao terceiro.

É claro que os filhos correram em busca do homem mais erudito da cidade, o estudioso, o matemático.

Ele raciocinou muito e não conseguiu encontrar a solução, já que a mesma é matemática.

Então alguém sugeriu: "É melhor procurarem alguém que saiba de camelos, não de matemática".

Procuraram assim o Sheik, homem bastante idoso e inculto, mas com muito saber de experiência feito.

Contaram-lhe o problema.

O velho riu e disse: "É muito simples, não se preocupem".

Emprestou um dos seus camelos - eram agora 18 - e depois fez a divisão. 

Nove foram dados ao primeiro filho, que ficou satisfeito.

Ao segundo coube a terça parte - seis camelos -

e ao terceiro filho foram dados dois camelos - a nona parte.

Sobrou um camelo: o que foi emprestado.

O velho pegou no seu camelo de volta e disse: "Agora podem ir".


Esta história foi contada no livro "Palavras de fogo", de Rajneesh e serve para ilustrar a diferença entre a sabedoria e a erudição. Ele conclui dizendo: "A sabedoria é prática, o que não acontece com a erudição.

17+1= 18


1º filho- 18/2= 9


2º '' - 18/3= 6


3º '' - 18/9= 2


9+6+2= 17 camelos

(está cumprido o testamento)


18-17=1


Sobrou 1 camelo que foi entregue de volta ao seu proprietário.


TINHAMOS EVITADO UMAS QUANTAS TRAPALHADAS SE TIVESSEM CONTRATADO ESSE TAL DE RAJNEESH PARA GESTOR DO BPN, BPP, BES e BANIF PORQUE, BEM VISTAS AS COISAS, PORTUGAL É UM PAÍS DE CAMELOS!!!


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E é tudo... por agora.




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