TOP 5 - Cinema Nacional

TOP 5 - MELHORES FILMES NACIONAIS 2020 


MOSQUITO (João Nuno Pinto)

PATRICK (Gonçalo Waddington)

ORDEM MORAL (Mário Barroso)

O FIM DO MUNDO (Basil da Cunha)

LISTEN (Ana Rocha de Sousa)


CARTAZES E TEXTOS SOBRE OS FILMES



João Nuno Pinto (1969) assina em "Mosquito" a sua segunda longa metragem. A primeira foi "América" (2010). Coprodução com França, Brasil e Moçambique, liderada pela Leopardo Filmes de Paulo Branco, "Mosquito" foi o filme de abertura do prestigiado Festival de Cinema de Roterdão. O filme inspira-se na figura do avô do realizador e decorre em Moçambique durante a I Guerra Mundial. O protagonista Zacarias, de 17 anos, aspirava a integrar as tropas portuguesas que combatiam nas trincheiras em França. No entanto, para sua desilusão, é enviado para Moçambique para proteger o território dos inimigos alemães. Vítima de paludismo pouco depois de chegar, é deixado para trás pelo seu pelotão. Mal recupera, decide ir em busca dos seus companheiros, mato adentro. Filme notável, até pelos valores de produção envolvidos, dá-nos a conhecer um "pequeno grande" ator: João Nunes Monteiro. O elenco inclui ainda Filipe Duarte (entretanto falecido), João Lagarto, Miguel Moreira, Sebastian Jehkul e Josefina Massango, com a participação especial do fadista Camané.


Primeira longa-metragem, como realizador, do ator Gonçalo Waddington (1977), integrou a competição oficial dos festivais de cinema de San Sebastián e LEFFEST. Baseado em várias histórias reais de jovens portugueses que. ao longo dos anos, desapareceram sem deixar rasto, tem por protagonista um jovem de 20 anos, Patrick  (Hugo Fernandes), que vive em Paris com um homem mais velho com quem mantém uma relação de dependência. Tem uma vida agitada frequentando festas onde a droga e o sexo são numa constante. Detido pela polícia na sequência de desacatos, descobre-se que, afinal, se chama Mário e é um jovem português que está desaparecido há 12 anos. Acaba por ser entregue á sua família de origem que vive na Sertã e tem agora que se readaptar e voltar a tentar ser quem era. As diferenças entre a vida urbana parisiense e a vida rural numa pequena povoação portuguesa também vão complicar essa mudança de vida. Filmado com intensidade dramática e dando espaço às personagens para terem vida própria, é uma surpreendente primeira obra que não teve a permanência em sala que merecia devido à pandemia que, em 2020, alterou o panorama de exibição cinematográfica em sala. Grandes desempenhos do protagonista Hugo Fernandes, um jovem luso francês, e de Alba Baptista, que interpreta a sua prima que tudo faz para o ajudar a recuperar a sua vida.




A história de Maria Adelaide Coelho da Cunha, proprietária do “Diário de Notícias” e filha do fundador do jornal, já tinha sido levada ao grande ecrã em 1990. "Solo de Violino", de Monique Rutler. Mário Barroso (1947), que começou por ser um conceituado diretor de fotografia - trabalhou muito com Manoel De Oliveira e João César Monteiro - apresenta aqui, como realizador de cinema, a sua terceira longa-metragem. Antes já tinha dirigido "O Milagre Segundo Salomé" (2004) e "Amor de Perdição" (2008). Com argumento de Carlos Saboga, considerado o melhor português nessa função, recria de novo a história de uma mulher avant le temps que, em 1918, farta das infidelidades do marido decide fugir com o motorista 26 anos mais novo. O escândalo foi enorme e o marido, com o apoio dos médicos Egas Moniz, Júlio de Matos e Sobral Cid, consegue interná-la no hospício Conde Ferreira, assenhoreando-se do património familiar que era da mulher por herança. Notável reconstituição de época, com as cenas da casa de Maria Adelaide a serem rodadas na Casa Veva (Amoreiras) e com um grande elenco, encabeçado por Maria de Medeiros, é um filme notável até pelo retrato que faz dos tempos conturbados que se viviam no país nessa época.

Basil da Cunha (1985), realizador luso-suíço, já tinha abordado esta mesma temática na sua primeira obra, "Até Ver a Luz" (2013). "Fim do Mundo" foi selecionado para competir no Festival de Locarno (Suíça) e ganhou, na edição de 2020 do Festival IndieLisboa, os prémios Melhor Longa-Metragem Portuguesa e Árvore da Vida. Recorrendo a atores não-profissionais, que conferem ao filme um cunho mais realista, retrata a história de um jovem de 18 anos (Spira) que, depois de cumprir uma pena de oito anos numa casa de correção, regressa ao seu bairro na Reboleira. Bem recebido por familiares e amigos que o tentam ajudar a reintegrar-se, tem no entanto de lidar com o rival Kikas,  um dos mais influentes traficantes do bairro, que o considera uma ameaça e que vai tentar correr com ele do bairro. Notável o realismo das cenas filmadas no bairro, com as personagens (não atores) a utilizar a sua própria linguagem nas conversas e discussões do seu quotidiano. 


Ana Rocha de Sousa (1978) é uma atriz portuguesa que tem em "Listen" a sua primeira longa-metragem. A história, baseada em factos reais - basta rever uma reportagem da jornalista Ana Leal - narra o drama vivido por uma família portuguesa emigrada em Inglaterra, a quem os serviços sociais britânicos retiram a guarda dos três filhos, alegando que as crianças estão em "risco de sofrer danos emocionais". Desencadeiam de imediato os protocolos do sistema de adoção forçada, levando os pais ao desespero. Resta-lhes tentar provar que são capazes de cuidar das crianças, antes que seja demasiado tarde, pois o processo, depois das decisões serem tomadas. é irreversível. "Listen" é uma coprodução entre a Bando à Parte (de Rodrigo Areias) e a Pinball London. Rodado nos arredores de Londres, conta com um grande elenco encabeçado por Lúcia Moniz, Foi distinguido com o prémio Bisato d'Oro de melhor realização – um dos galardões paralelos do Festival de Cinema de Veneza – e venceu também o prémio Sorriso Diverso Venezia "pela sua abordagem às questões sociais". Foi também nomeado como o representante português, na categoria de "Melhor Filme Internacional", aos Óscares 2021, mas a Academia vetou a nomeação alegando que, em mais de 50% do filme, a língua utilizada é o inglês, facto que contraria as regras estabelecidas para o efeito. 




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