Celeste Aleixo apresenta
Da vasta coleção da Celeste Aleixo trazemos hoje dois vídeos bem humorados. Um mostra-nos a faceta humorista do Papa Francisco e outro retrata, de forma sarcástica, a carreira futebolística do Sport Lisboa e Benfica na presente época.
Na nossa confraria temos pessoas religiosas, umas mais que outras, algumas até sem fé cristã, bem como adeptos dos três grandes clubes nacionais. Nenhum dos vídeos é desrespeitoso para nenhuma destas instituições. No caso do Benfica, acho mesmo que serão os seus adeptos, na sua maioria (a avaliar pelos ecos que vão chegando através das redes sociais e da imprensa) que mais apreciarão a "análise" que, de forma divertida, é feita no vídeo. Ao fim e ao cabo, são eles quem se sentem enganados e desiludidos. Mas vejam e não deixem de dar a vossa opinião.
No primeiro, "Fofoca é como terrorismo", podemos ouvir o Papa Francisco contar-nos uma história, alegadamente verdadeira, sobre uma mulher fofoqueira que frequentava a igreja. Mesmo se a história for ficção, acaba por ser uma bela parábola com uma moral evidente. Para o Papa, o ato de "fofocar" acaba por ser similar ao de um terrorista. E explica porquê. De facto, para além do humanismo e capacidade oratória, é mais do que evidente que este Papa tem sentido de humor e, mesmo que o faça de forma subtil, é um filósofo atento ao quotidiano em que vivemos.
Faço aqui um breve parêntesis para vos recomendar um belo filme, infelizmente apenas disponível na NETFLIX, intitulado "Os Dois papas" ("The Two Popes", Fernando Meirelles, 2019) que nos narra um episódio ocorrido ainda durante o papado de Bento XVI que, dado como verídico, mostra como Ratzinger planeou a sua renúncia ao cargo, hoje é Papa emérito, e "influenciou Jorge Bergoglio a ser o eu sucessor, situação que, por obrigatória decisão do conclave, se veio a concretizar.
Poderão saber tudo sobre o filme na sua página do IMDB, "Os Dois Papas" (The Two Popes") Mas, para vos dar, desde já, uma ideia sobre o referido filme, segue um artigo de Paula Freitas Ferreira, publicado do Diário de Notícias (on line) a 27 de Dezembro de 2019.
"Dois papas" ("The Two Popes"), assinado pelo realizador Fernando Meirelles ("Cidade de Deus"), é como espreitar pela fechadura de uma das instituições mais antigas do mundo: a Igreja Católica. "Inspirado em acontecimentos reais", como o teaser da longa-metragem sublinha, foca um dos momentos mais misteriosos da história do Vaticano - a renúncia do papa Bento XVI e a ascensão do argentino Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco.
O filme, que estreou em novembro nos cinemas e este mês na Netflix, mostra os dois Papas em momentos que parecem inverosímeis: partilham pizza e refrigerante de laranja e até dançam tango, mas onde a ficção poderá ter ido demasiado longe terá sido nos momentos em que Joseph Ratzinger confessa ao então cardeal Bergoglio que deixou de "ouvir a voz de Deus". Esta falta de fé, a culpa - de ambos - e outros pormenores que não são assim tão inócuos, foram revistos pela BBC, que mostra aquilo que é verdade e ficção no drama que está nomeado para os Globos de Ouro (Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Ator Secundário).
A história, interpretada por Anthony Hopkins (Papa Bento XVI) e Jonathan Pryce (Papa Francisco), assenta nas diferenças - e surpreendente aproximação após conversas íntimas - entre dois Papas com visões muito diferentes do mundo.
Fernando Meirelles, o realizador, não nega a simpatia que nutre pelo Papa Francisco e já defendeu que o seu retrato de Ratzinger é até mais suave do que a realidade.
"Acho que o Papa Bento XVI é melhor no nosso filme do que na vida real, é mais carismático. Anthony Hopkins não pode evitar, é encantador. Então [o filme] foi bom para o Papa Emérito", disse ao realizador ao USA Today.
O conclave e a eleição de Bento XVI
O filme arranca com um acontecimento real: a morte, em abril de 2005, do Papa João Paulo II. Mostra o conclave, com cardeais de todo o mundo como os próprios Ratzinger e Bergoglio, que têm como missão escolher secretamente o novo Papa. O alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Causa da Fé e considerado muito próximo de João Paulo II, foi visto como o sucessor natural do Papa, o que é transmitido de forma clara no filme. "Dois Papas" sugere ainda que Ratzinger ambicionava por esse poder.
Ficção. No entanto, diz a BBC, vários especialistas garantem que o alemão, um filósofo erudito, estava mais inclinado para a reforma do que para comandar a Igreja católica, que atravessava um momento difícil. Tudo o que se passou durante o conclave, as conversas que o filme mostra, serão pura ficção, uma vez que os cardeais fazem uma promessa - de que nunca irão revelar o que se discute durante a votação.
Verdade: documentos revelados pela imprensa italiana sobre o conclave de 2005 revelaram que de facto o nome do argentino esteve em segundo lugar na votação - o filme foca esse momento e cria uma tensão entre Ratzinger e Bergogglio, como na cena em que o alemão não cumprimenta com a mesma amizade o argentino, como o fez com outros cardeais presentes. Ratzinger acaba por ser eleito Papa após três "fumos" negros - só quando sai fumo branco das chaminés do Vaticano é que o mundo fica a saber que os cardeais chegaram a acordo - o fumo é proveniente da queima dos votos dos cardeais.
Ficção: Não existe nenhum facto público que indique que Bergoglio lamentou a eleição do alemão, como sugere a longa-metragem, ou que a escolha de um Papa "conservador" tenha motivado o seu pedido de renúncia do cargo de cardeal.
A renúncia de Bergoglio e o encontro em Castel Gandolfo
E eis que "Dois Papas" muda do cenário e do Vaticano passa para a Argentina de Bergoglio. O cardeal esperava - segundo a história - a resposta à carta que tinha enviado com o seu pedido de renúncia.
Ficção: De acordo com a lei canónica, assim que um bispo completa 75 anos tem obrigatoriamente de entregar o seu pedido de renúncia - Bergoglio tinha 76 anos quando foi eleito Papa. Cabe ao pontífice aceitar, ou não, o pedido. O filme sugere que a carta - e o pedido - foi uma vontade isolada do argentino e não uma regra a obedecer por todos os cardeais.
Ficção: O pedido de renúncia não é feito por carta, mas através das nunciaturas apostólicas - embaixadas do Vaticano nos diferentes países.
O filme foca a viagem de Bergoglio a Roma para se encontrar com Bento XVI - por causa da carta que tinha escrito, e sugere até que Bergoglio tinha comprado a viagem para Itália antes mesmo de ter sido convidado. "Dois Papas" explora estes "sinais" que Raztinger e Bergoglio iam recebendo e que indiciavam que o argentino teria de ser - por vontade de Deus - o próximo Papa.
Ficção: Não houve viagem do argentino até à residência de verão de Castel Gandolfo, ondeRaztinger estaria a passar férias e nem há provas de houve reuniões ou conversas entre os dois antes de eleição de Francisco como Papa.
O "Vatileaks", a renúncia de Bento e a eleição de Bergoglio
O filme foca bastante o caos em que vivia a Igreja Católica e volta a um dos maiores escândalos dos últimos anos: o chamado "Vatileaks".
Verdade: O "Vatileaks" foi o nome dado à fuga de documentos secretos que vazaram para a imprensa em 2012 e que indicavam corrupção, chantagem e escândalos sexuais dentro da Igreja e especialmente no Banco do Vaticano. Foi o mordomo de Bento XVI, Paolo Gabriele, que entregou a maior parte dos arquivos à imprensa. "Dois Papas" é fidedigno nesta informação, como também sugere que este acontecimento pode ter pesado no pedido de renúncia do Papa Bento XVI.
Verdade. Num discurso em latim, Ratzinger anunciou a sua demissão, em fevereiro de 2013. Alegou "falta de força", devido à idade e às doenças. A longa-metragem quer dar a entender que também pesaram, na decisão, a culpa e a crise de fé do alemão, bem como a sua incapacidade para lidar com os casos de abuso sexual a menores por padres católicos. Não é claro que assim tenha acontecido - apenas a versão oficial tem sido defendida pelo Vaticano e tudo o resto classificado como "boatos".
Ficção. Também não há informações públicas que comprovem um encontro de Ratzinger com Bergoglio na Capela Sistina, ou que tenham discutido fé, humildade ou os sapatos pobres deBergoglio. Nem sequer há provas da pizza e da Fanta que comeram e beberam em conjunto. Ou o tango que o argentino quis ensinar a Ratzinger no momento da despedida, antes mesmo de ser anunciada a demissão de Bento XVI.
Verdade. O Papa Emérito - Joseph Ratzinger - gosta muito de refrigerante de laranja.
"Dois Papas" é muito mais sobre Francisco do que sobre Bento XVI e mostra a juventude do Papa Francisco. O filme sugere que o argentino esteve apaixonado e muito perto de casar. No entanto, não há provas de que um suposto noivado tivesse acontecido, nem sequer um namoro.
Bergoglio contou que quando tinha 12 anos escreveu uma carta de amor a uma mulher, Amalia Damonte, onde teria ameaçado que se ela não se casasse com ele que se tornaria padre. O filme não evoca esta história, antes coloca o papa Francisco a lembrar-se do momento em que volta atrás no pedido de casamento.
A agência católica ACI Prensa já reagiu ao filme e disse que "Dois Papas" "não representa Francisco e Bento XVI".
Fofoca é como terrorismo
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