Conceição Fonseca apresenta

Da coleção Conceição Fonseca temos hoje dois belos momentos musicais: "Adam & Eve In Heaven!", mais um brilhante momento de ballet a cargo dos Zurcaroh numa das suas atuações no programa America’s Got Talent, na sua 13.ª edição em 2018, e "Maria La Portuguesa", interpretada por Maria Dolores Pradera & Carlos Cano, ilustrada com uma coreografia estonteante

Vamos saber um pouco mais sobre estes artistas, com a "ajuda" da Wikipedia.

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Zurcaroh (pronuncia-se ZOO-CA-ROW) é um grupo de espetáculos acrobáticos com sede em Götzis, Vorarlberg (Áustria), dirigido pelo coreógrafo brasileiro Peterson da Cruz Hora. O grupo tornou-se conhecido internacionalmente depois de ganhar uma "campainha de ouro na temporada" em 2017 no programa France's Got Talent, repetindo a proeza em 2018 na 13.ª temporada do America's Got Talent, concurso em que terminaram no segundo lugar na final.

Peterson da Cruz Hora, coreógrafo paulista, fundou o grupo originalmente em 2007 no Brasil. Em 2009, após se mudar para a Áustria, decidiu "(re)fundar" o grupo novamente, mas com uma equipa de bailarinos local. A sua primeira aparição internacional, como um grupo austríaco, ocorreu em 2011, em Lausanne, Suíça.

Alguns dos seus movimentos e rotinas são únicos ou raramente vistos em rotinas de dança. Isso inclui vários flips de uma vez e atos de trapézio de estilo circense. Um movimento tem dois dançarinos dando cambalhotas estilo estrela do chão, pousando cada revolução nos braços dos outros artistas. Outro tem uma dançarina agindo como corda de pular. Peterson explicou por que foi importante para a trupe fazer um teste para a AGT, "Porque este é o maior palco do mundo onde podemos compartilhar nossas habilidades e nosso talento." Informou ainda que o grupo aceita dançarinos, ginastas e acrobatas em todos os níveis. Em maio de 2018, havia 31 membros na trupe. O grupo reside em Götzis, uma cidade no altamente povoado vale do Reno, no oeste da Áustria. 

Voltando ao clip que vamos ver, o grupo apresentou-se no primeiro show da 13.ª temporada do America's Got Talent, em 2018. O número exibido consistia em "acrobacias ousadas e sincronicidade precisa". Posteriormente, cada um dos juízes reagiu favoravelmente ao desempenho. Simon Cowell classificou-o como "incrível" e "de tirar o fôlego". A apresentadora Tyra Banks concedeu-lhes uma "campainha de ouro", que lhes permitiu avançar diretamente para os shows ao vivo. 

Nos quartos de final, Zurcaroh conduziu uma peça de dança baseada na história bíblica de Adão e Eva. Mais uma vez, foi recebido favoravelmente. A sua performance nas semifinais consistiu num tema egípcio antigo. A jornalista Carolyn Lipka escreveu sobre Zurcaroh após a apresentação nas semifinais: "Basicamente, nada se compara ao tipo de show que esse grupo apresenta - as formas, a complexidade e os detalhes em cada aspecto da performance são alucinantes.

Na final, Zurcaroh executou uma rotina para Baba Yetu. A apresentação foi ambientada numa selva e contou com as suas manobras acrobáticas habituais. Recebeu os mais altos aplausos da multidão entre os dez finalistas que se apresentaram naquela noite. O primeiro juiz a comentar após a apresentação, Howie Mandel, viu a sua voz quase completamente abafada pelos aplausos do público.

No final, Zurcaroh terminou em segundo lugar como vice-campeão, perdendo para o mágico Shin Lim.

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"Maria La Portuguesa", composta por Carlos Cano, é baseado numa trágica história verdadeira ocorrida a 5 de Janeiro de 1985, pelas 13 horas, em Castro Marim (Algarve). Um jovem contrabandista espanhol de Ayamonte carregava quatro caixas de marisco na margem do rio Guadiana para depois as vender, de forma clandestina, em Huelva. Juan Flores tinha 35 anos, era casado e tinha duas filhas. Era véspera de Dia de Reis, dia em que se trocam prendas de Natal em Espanha, e Juan pretendia, com o produto da venda do marisco, compra uma boneca Nancy para as meninas.

De repente surge uma patrulha da guarda costeira portuguesa e um dos agentes, António Nunes, aproxima-se de Juan e dispara duas vezes. Uma das balas atravessa o estomago de Juan e outra atinge-o no coração causando-lhe morte imediata. O corpo é levado para a morgue, em Portugal, e quando a notícia chega a Ayamonte já não há barco que possa transportar a família e amigos de Juan para velar o corpo. No entanto, o que parecia vir a ser um velório deserto, acaba por contar com a presença de uma misteriosa mulher, embuçada e vestida de negro, que permanece junto ao corpo toda a noite.

Quando a população de Ayamonte toma conhecimento do crime, começam a ocorrer tumultos nas ruas e todos os carros que encontram de matrícula portuguesa são apedrejados ou atirados ao rio. Gera-se um conflito diplomático entre os dois países e só quatro dias depois é que o corpo foi trasladado para Ayamonte. A misteriosa mulher mantém-se durante todos esses dias a velar o corpo e, sempre que era questionada, nada respondia, apenas disse chamar-se Maria.

Quando a 9 de Janeiro o corpo é levado para Espanha, é recusada a entrada no barco a Maria. Misteriosamente, mal o barco atraca no porto de Ayamonte, Maria já está no meio dos populares aguardando que o corpo de Juan seja retirado do barco. Ninguém sabe como conseguiu atravessar o rio e chegar a Ayamonte. 

Segundo fotos da imprensa de então, a mulher vestida de negro seguiu junto ao caixão, carregando uma coroa de flores, todo o funeral que percorreu as ruas da cidade espanhola com os cidadãos locais em peso, ainda revoltados com o assassinato do seu conterrâneo, a acompanhar.

Em 1986, a história chega ao conhecimento do cantor granadino Carlos Cano que, impressionado com o misteriosos drama, compôs uma emotiva canção, "Maria, la portuguesa", publicada em 1987. A canção veio a tornar-se no maior êxito da sua carreira. Seguiram-se várias versões desta canção a cargo de artistas como María Dolores Pradera, Joaquín Sabina, Dani Martín e Enrique Urquijo. 

30 anos depois, a identidade da "mulher de negro" mantinha-se um mistério. Seria uma amante de Juan, uma contrabandista que com ele "trabalhava"? O polícia português teria morto Juan por, supostamente, ter ciúmes de Maria? O que ficou para a história foi que uma "mulher de bom coração" teve piedade da solidão de um defunto e manteve-se ao seu lado até ao dia em que foi sepultado.

Foi então que um jornalista do EL ESPAÑOL decidiu investigar a história e descobriu a identidade de "Maria, la portuguesa". Nem era portuguesa nem se chamava Maria...

Saiba tudo na reportagem que este publicou, 30 anos depois do assassinato de Juan Flores.

La verdadera historia de "María la portuguesa", la prostituta de buen corazón


Segue a letra da canção, para melhor entenderem a sua "força" emotiva.


MARIA LA PORTUGUESA


En las noches de luna y clavel,

de Ayamonte hasta Villareal,

sin rumbo por el río, entre suspiros,

una canción viene y va.

Que la canta María

al querer de un andaluz.

María es la alegría

y es la agonía

que tiene el sur.


Que conoció a ese hombre

en una noche de vino verde y calor

y entre palma y fandango

la fue enredando, le trastornó el corazón.

Y en las playas de Isla

se perdieron los dos,

donde rompen las olas, besó su boca

y se entregó.


¡Ay, María la portuguesa!

Desde Ayamonte hasta Faro

se oye este fado por las tabernas.

¿Dónde bebe viño amargo?

¿Por qué canta con tristeza?

¿Por qué esos ojos cerrados?

Por un amor desgraciado,

por eso canta, por eso pena.


¡Fado! porque me faltan sus ojos.

¡Fado! porque me falta su boca.

¡Fado! porque se fue por el río

¡Fado! porque se fue con la sombra.


Dicen que fue el "te quiero"

de un marinero, razón de su padecer.

Que en una noche en los barcos

del contrabando, p'al langostino se fue.

Y en la sombra del río,

un disparo sonó.

Y de aquel sufrimiento

nació el lamento

de esta canción.


¡Ay, María la portuguesa!

Desde Ayamonte hasta Faro

se oye este fado por las tabernas.

¿Dónde bebe viño amargo?

¿Por qué canta con tristeza?

¿Por qué esos ojos cerrados?

Por un amor desgraciado,

por eso canta, por eso pena.


¡Fado! porque me faltan sus ojos.

¡Fado! porque me falta su boca.

¡Fado! porque se fue por el río

¡Fado! porque se fue con la sombra.

¡Fado! porque se fue por el río

¡Fado! porque se fue con la sombra.



Vamos conhecer agora um pouco os intérpretes da canção.

José Carlos Cano Fernández,​ artisticamente conhecido como Carlos Cano (Granada, 28 de Janeiro de 1946 - Granada, 19 de Dezembro de 2000), foi um cantautor, compositor e poeta espanhol que recuperou estilos tradicionais do sul peninsular, relativamente esquecidos como o "trovo popular", e muito especialmente "la copla", que recuperou para os tempos contemporâneos. Foi (e continua a ser) uma referência democrática durante a "Transición española" e a sua música tultrapassou fronteiras chegando a ser um elo de união entre a cultura espanhola e a cultura latino-americana. Entre as suas amizades destaca-se a cantora María Dolores Pradera, com quem interpretou, em numerosas ocasiões, muitas das suas coplas, que alcançaram grande fama.

A sua versatilidade como compositor permitiu-lhe escrever cuecas, tangos, boleros, rumbas, pasodobles, sambas, nanas, coplas, murgas carnavaleras ou temas intimistas, acompanhado apenas pela sua guitarra ou por uma orquestra. A qualidade e emotividade dos seus textos, tornaram Cano uma personagem destacada no panorama musical espanhol. Entre os seus temas mais conhecidos, destacam-se «Verde, blanca y verde», «María la Portuguesa», «Ay Candela», «La murga de los currelantes», «Tango de las madres locas», «Que desespero», «Habaneras de Cádiz», «Un vaso de té verde» e «La metamorfosis».

María Dolores Fernández Pradera (Madrid; 29 de Agosto de 1924 - 28 de Maio de 2018​), artisticamente María Dolores Pradera, foi uma cantante melódica e atriz espanhola.  A sua trajetória artística começou em 1943 tornando-se uma primeira figura do teatro.​ Posteriormente, como atriz de cinema e, finalmente, cantora em espetáculos ao vivo.

Dado o êxito das suas edições discográficas, efetuou tournées por vários países, especialmente na "Hispano América". Dedicou-se por inteiro às canções desde começos da década de 1970. Pelo seu trabalho alcançou enorme fama mundial por difundir alguns géneros da música popular hispano-americana, la canção espanhola e a obra dos seus maiores autores.

Pela sua personalidade em palco, dotada de una voz grave e contundente,  e uma "gestualidade elegante", ficou popularmente conhecida como "La Gran Señora de la Canción".

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Adam & Eve In Heaven! - Zurcaroh



Maria la Portuguesa - Maria Dolores Pradera & Carlos Cano





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