Hoje falo eu - António Antunes
Da infância à juventude - Uma pedrada no charco!
Cristiano Ronaldo é, em todo o mundo, demasiado famoso para ser necessário aqui introduzir a sua biografia.
Quem conhece melhor a entrada na
juventude de Cristiano, após uma infância normal
proporcionada por uma família de recursos limitados da ilha da
Madeira, sabe que aos onze anos de idade, é recrutado pelo Sporting Club de
Portugal e integra a sua Academia, em Alcochete.
Hoje, já foi reconhecido por cinco vezes
como o melhor futebolista do mundo do ano, auferindo aproximadamente dois
milhões de euros em cada mês.
Ou seja, mensalmente, realiza
financeiramente o equivalente ao produto do trabalho de um indivíduo
que ao longo de 40 anos tenha auferido 4.100€ de rendimento
mensal.
Porque cito este caso? Para
perguntar se Ronaldo tivesse permanecido na sua ilha natal, perto da sua
família – mesmo como jogador de futebol – atingiria os patamares
universais alcançados?
Ou a ida para Alcochete, a quase mil
quilómetros oceânicos de casa, afastado da família, ingressando numa envolvente
futebolística altamente sofisticada e competitiva, terá produzido toda a
diferença?
A extraordinariamente difícil separação
entre um jovem de onze anos e a sua família terá sido, ou não, a decisão
básica, radical, potenciando perspectivas de futuro,
permitindo-lhe iniciar o caminho para se tornar, repetidamente, o “melhor
do mundo”?
Será, certamente, exagerado inferir
destas palavras, que todas as crianças talentosas ao serem separadas
da estrutura familiar de base próximos da puberdade - ao ingressarem
em ambientes profissionalmente concebidos, competitivos e distantes -
conquistem futuros acentuadamente brilhantes.
Em verdade, as características
individuais serão determinantes para aceder aos patamares desejados.
Porém, este – e outros casos –
demonstram estarmos a observar uma via plena de potencial para conseguir
carreiras fora do comum.
E… até onde, este tipo de separação será
acentuadamente doloroso para a criança, se lhe é saciada a sede da tendência,
desenvolvido o seu dom e proporcionada uma envolvente onde, praticamente tudo,
manifesta a qualidade direcionada à concretização do seu sonho?
Apenas, e sublinho "apenas",
lhe faltará a presença constante da família.
Mas será esta presença essencialmente
confortante, preferível a uma outra tão mais desafiante quanto adequada, a
potenciar tudo o que a criança/jovem tem de melhor para oferecer?
A distância à família e a afirmação
pessoal e profissional, obrigam-na a crescer rapidamente, a assumir,
sozinho, constantes desafios individuais e, se ele conseguir sobrepor-se à
tristeza da separação, entendendo ser a
vida, também, formada por alguma tristeza e muito esforço conseguirá,
com dedicação e bons apoios, um futuro bastante mais compensador que um
passado no qual, embora repleto de carinho e
conforto, é certamente menos estruturante
e até redutor dos grandes sonhos que possa ter.
De salientar ainda que esta separação da
família durante a adolescência parece ter contribuído em CR7 a uma
aproximação posterior do seu núcleo familiar, assumindo-se agora como elemento
agregador do mesmo face à ausência de uma figura paterna marcante.
António Antunes
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