Vasco Mendonça de cartilheiro inflamado a desertor fanático

O Benfica, centenário clube português, está a atravessar a maior crise da sua existência. Com um presidente ausente e um treinador em histérica negação, as derrotas acumulam-se e as vozes de oposição começam a fazer-se ouvir de forma estridente. 

Escrevo antes do jogo com o Arsenal que decorrerá mais logo. Se ficar afastado da Liga Europa, será a pior época da história para este clube centenário. Depois de um brutal investimento, superior a 100 milhões de euros, e de um rol de incumpridas promessas de Jesus - "vamos arrasar", "vamos jogar a truplicar", "vim para ganhar tudo" - que se sucedem aos delírios de Vieira - "estamos dez anos à frente das outras equipas", "vamos ser campeões europeus com as pérolas (jovens) do Seixal" - o que se tem é uma equipa sem alma, sem portugueses no onze titular, que acumula desaires.

De quem é a culpa? Do estrondoso silêncio do presidente - nada estranho, pois sempre teve um comportamento cobarde nos momentos difíceis, para além de ter arrastado o clube para dezenas de vergonhosos processos judiciais  devido a práticas criminosas levadas a cabo para assegurar títulos ao clube - às histéricas declarações do "esgotado" treinador que culpa o COVID-19, a não marcação de grandes "planidades", a imprensa e os comentadores da sua mais que evidente inépcia.

Uma das vozes que surgiu agora a contestar o status quo vermelho é Vasco Mendonça. Já foi um cartilheiro que, como tantos outros, decorava e papagueava as patacoadas escritas pelo decrépito Carlos Janela, como ainda há dias confessou em direto na CMTV, e ia para a televisão (SIC) e para o seu blog atacar adversários, defender o indefensável e espalhar mentiras esperando que a máxima de Goebbels - "uma mentira muitas vezes repetida "torna-se verdade" (?!) - alinhando nas jantaradas naquele famoso restaurante tornado conhecido pelo "processo dos Voucheurs".

Pois Mendonça passou "de cartilheiro inflamado a desertor fanático". Renega o seu passado de fervoroso acólito de Vieira e Janela e passou a ser um dos maiores defensores da queda de Vieira, Jesus e... Rui Costa, o habitual capacho do presidente que dele faz, como diria o catedrático Jorge Jesus, "bode respiratório".

Trago-vos o último texto publicado por Mendonça para tirarem as vossas conclusões. Para mim, o que acho mais "notável" é como uma criatura que todos os domingos à noite levava forte e feio no focinho dos seus "adversários" no programa - Paulo Baldaia (FC Porto) e Rodrigo Roquette (Sporting) - para defender o "Vieirismo", que há anos impera no Benfica, agora renegue tudo isso e se tenha tornado um perseguidor do (ainda) presidente Vieira.

Se Vieira tivesse futuro no Benfica, em breve acabaria por o comprar "baratinho", recebendo-o de volta, oferecendo-lhe algum tacho, como tem acontecido com tantos outros (Rui Rangel, José Eduardo Moniz, Fernando Tavares... ) Até o "obeso mórbido" Pedro Guerra, que se tornou o seu principal cão de fila nas televisões, no passado já o tinha denunciado como "ladrão de camiões", como poderão ler aqui.

Já agora dou uma ajuda a Mendonça se quiser conhecer, ainda melhor, o currículo criminoso de Vieira pode clicar aqui que tem 12 dessas polémicas ao seu dispor, embora haja muitas mais...

Bem, chega de introdução, leiam lá o que o senhor Vasco Mendonça escreve agora sobre o que, acerrimamente, defendeu no passado.


Tão felizes e amigos que eles eram...

Daqui a dias, quando ganharmos três jogos, Vieira dirá que isto lhe custou muito e que não sairá do Benfica antes de ser campeão europeu
Não sei como é que o presidente do clube está a lidar com isto. Ninguém faz ideia. Desapareceu durante o pior período do seu mandato. No momento em que mais era esperado dele, apenas alguns meses após ter sido reconduzido, deixa que um silêncio ensurdecedor se instale
Passaram 48 horas e continuo sem inspiração para escrever as habituais notas sobre cada um dos jogadores. Por um lado, não há álcool que chegue nesta casa. Por outro, sinto que não se prescrevem ansiolíticos para o benfiquismo nos dias que correm. Depois, procurar uma explicação de índole técnico-tática para o que se passa dentro de campo, como se fosse só isso, parece-me um exercício masoquista nesta fase.
Estamos todos a passar por isto e a lidar com este período angustiante da melhor forma que sabemos. O Rafa diz que é preciso caprichar na cara do golo. O Darwin escreve um post no Instagram a dizer ao pai que vai saber contrariar a adversidade (espero que sim, miúdo).

Eu vou passear o cão e evito ler os desportivos enquanto imagino uma reviravolta extraordinária na 5ª feira, 11 + 5 jogadores a irem buscar forças que não sabiam que tinham para de uma vez por todas demonstrarem o que sabem fazer e fazerem jus ao emblema que vestem. Ok, não precisam de ter visto o jogo de 1991. Basta jogarem como se soubessem o que é o Benfica.

O presidente do clube, bem, não sei como é que o presidente do clube está a lidar com isto. Ninguém faz ideia. Desapareceu durante o pior período do seu mandato. No momento em que mais era esperado dele, apenas alguns meses após ter sido reconduzido, deixa que um silêncio ensurdecedor se instale.

Desapareceu, mas, ironicamente, está hoje em muitas ruas deste país. “Malditos garotões” que só querem o mal do clube, pensarão os seus mais fiéis apoiantes. Tenho a certeza que daqui a uns dias Vieira nos dirá que lhe tem custado muito e, assim que vencermos 3 jogos consecutivos, voltará a dizer que não sai do Benfica sem ser campeão europeu. Caro Presi, muito sinceramente nesta fase já me contentava se dissesse que não saía do Benfica sem voltar a conseguir um quarto lugar no campeonato. Sempre me pareceria mais provável a sua saída.

Ligo a BTV e vejo alguns a medirem o benfiquismo como se, em vez do chuto certeiro ou da abnegação que conquista metros para chegar à baliza adversária, o benfiquismo fosse afinal a arte da negação e um serviço a prestar à atual direção do clube. Gestão errática? Nada disso, vejam só as arbitragens, se não acreditam em mim perguntem ao António Rola! Comunicação ineficaz? Qual quê, olhem só para o azar que tivemos. Falta de competência nas mais diversas áreas? Meus amigos, ponham os olhos nesta pandemia. Pensamento crítico? Tachistas! Esta gente que se diz benfiquista é uma vergonha para o clube!

E, no entanto, apesar do Benfica que emana de todas estas situações algo embaraçosas, há um outro Benfica que permanece imutável. Se dúvidas restassem, bastava ouvir a edição de ontem do Benfica FM. Já vos explico porquê.

Antes disso, e para que não achem que estão sozinhos, pelo contrário, para que percebamos que somos cada vez mais, posso dar outros exemplos que, hoje, surgem em cada esquina tal como o nome da rua. Podemos ler o Bagão Félix esta manhã, que pede de uma vez por todas uma reacção do presidente livre de demagogia. Podemos ler o Pedro Adão e Silva, que se diz sem palavras e mesmo assim consegue dizer tudo. Podemos ler o Filipe Inglês no Zerozero a explicar porque é que não se desiste do Benfica. Podemos ler os mais diversos benfiquistas pensantes nas redes sociais, cidadãos cumpridores que continuarão a pagar quotas e a assinar a BTV, explicarem aquilo que os angustia dia e noite.

E isso não é um pormenor. Neste momento, isso é tudo. Hoje, perante o silêncio ensurdecedor de um presidente, as explicações insuficientes dos seus vice-presidentes, o insucesso dos atletas e de quem os dirige, sabemos uma coisa. O Benfica é, mais do que nunca, os Benfiquistas. Se não acreditam em mim, ouçam a Lurdes.

[Avancem aqui para o minuto 96: https://www.youtube.com/watch?v=fwEdtd9WjpA]

Bem arredondados, são 15 minutos à Benfica como reza a história. Ouçam todos se puderem. Não conhecia a Lurdes até ontem à noite e agora, depois de a ter ouvido 2 vezes, sinto que esteve sempre por aqui, presente de alguma maneira, a garantir que o Benfica se mantém vivo hoje, amanhã e sempre. Porque a identidade do Benfica, por muito que continue a viver dos feitos grandiosos inscritos na sua história, é também este amor simples que não desarma de uma mulher que, aos 59 anos, decidiu entrar em direto num podcast de garotões para dizer tudo o que lhe ía na alma e falar do que é o Benfica para si: de como a sua vida se rege por isso, dos que estão com ela na bancada, dos que já estiveram e lhe deixaram as memórias vividas de um Benfica que venceu a Taça Latina. E de como hoje sente o Benfica ameaçado por quem lá está.

O Benfica é a Lurdes, é da Lurdes, e deve existir para fazer pessoas como a Lurdes felizes. É curioso que o António Pita, um dos apresentadores do podcast, chamou-lhe Dona Lurdes e a Lurdes fez questão de dizer que não é Dona de nada, que é só mais uma de nós. Felizmente o Nuno Picado, outro dos anfitriões, não se contentou com a resposta e pouco depois chamou-lhe Rainha Lurdes. Parece-me bem. Rainha Lurdes, Dona e Senhora do coração benfiquista.


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