Alice Paiva apresenta

Da coleção Alice Paiva temos hoje dois momentos que conciliam ternura com humor. Ambos dizem respeito a "situações familiares"...

O primeiro vídeo, "Pai do ano e as suas três meninas", mostra-nos a forma, carinhosa e atenta, como um jovem pai (oriental) zela pelo bem estar das sua três filhas ainda bebés. Embora não tenha, em tempo útil, apurado a identidade do "pai herói" se gostarem encontram mais vídeos no Youtube. O pai tem mesmo um canal, Mr. Ken’s World, que já tem 2,21 mil subscritores.

O segundo vídeo, "Todos os homens são maricas quando estão com gripe" traz-nos um poema do escritor António Lobo Antunes declamado pelo ator Pedro Lamares. Para quem não saiba, este mesmo poema já foi musicado pelo cantautor Vitorino

Como bónus, no final deixo-vos não uma, mas sim duas versões deste "poema cantado". Uma na voz do próprio Vitorino, outro numa versão de Salvador Sobral, para além do próprio poema, claro.


Pai do ano e as suas três meninas





Todos os homens são maricas quando estão com gripe



Fiquemos então com as duas prometidas versões cantadas do poema de António Lobo Antunes


Versão Vitorino



Versão Salvador Sobral




Todos os homens são maricas quando estão com gripe

(António Lobo Antunes)


Terço na mão

Uma botija Chá de limão

Zaragatoas

Vinho com mel

Três aspirinas

Creme na pele

Dói-me a garganta

Chamo a mulher

Ai Lurdes, Lurdes

Que vou morrer

Mede-me a febre

Olha-me a goela

Cala os miúdos

Fecha a janela

Não quero canja

Nem a salada

Ai Lurdes, Lurdes

Não vales nada

Se tu sonhasses

Como me sinto

Já vejo a morte

Nunca te minto

Já vejo o inferno

Chamas diabos

Anjos estranhos

Cornos e rabos

Tigres sem listas

Bodes de tranças

Choros de corujas

Risos de grilo

Ai Lurdes, Lurdes

Que foi aquilo

Não é a chuva

No meu postigo

Ai Lurdes, Lurdes

Fica comigo

Não é o vento

A cirandar

Nem são as vozes

Que vêm do mar

Não é o pingo

De uma torneira

Põe-me a santinha

À cabeceira

Compõe-me a colcha

Fala ao prior

Pousa o Jesus

No cobertor

Chama o doutor

Passa a chamada

Ai Lurdes, Lurdes

Nem dás por nada

Faz-me tisanas

E pão-de-ló

Não te levantes

Que fico só

Aqui sozinho

A apodrecer

Ai Lurdes, Lurdes

Que vou morrer.




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