Fernanda Lobo apresenta
A rubrica da Fernanda Lobo de hoje vai ser dedicada à pintura. Começamos com um vídeo que é uma verdadeira aula de história da pintura, pois permite-nos rever alguns dos mais marcantes artistas do Impressionismo, movimento que surgiu em França durante a chamada Belle Époque (Século XIX).
Vejam o vídeo "Impressionismo - Os melhores pintores" e, se quiserem depois saber algo mais podem consultar a página da Historia das Artes dedicada a este movimento.
Finda esta viagem virtual, a Fernanda propõe outra ao Museu do Prado. Recomenda, para além de poderem navegar pelo site deste museu, cujo link disponibiliza, uma especial atenção à marcante exposição "LAS INVITADAS. FRAGMENTOS SOBRE MULHERES, IDEOLOGIA E ARTES PLÁSTICAS EM ESPANHA (1833-1931)".
A apresentação da exposição, bem como os textos escolhidos e anexados, são responsabilidade da própria Fernanda.
IMPRESSIONISMO - OS MELHORES PINTORES
Exposição sobre o olhar e o poder masculino nas artes plásticas e a submissão, real ou fictícia, da mulher até às manifestações de revolta
TEXTO JOSÉ LUÍS PORFÍRIO
OMuseu do Prado resolveu não só reabrir as suas exposições como apresentar uma faixa menos conhecida da arte espanhola cobrindo quase todo o século XIX e o primeiro terço do XX; mas não mostrou à toa, apresentando apenas a qualidade e variedade da pintura dessas épocas, mais alguma escultura e artes decorativas, traçou um propósito e investigou um tema e uma mentalidade com documentos figurativos exemplares, independentemente das opções estéticas que iam variando, romantismo, realismo burguês, naturalismo... “Fragmentos” lhe chamou, com inteira pertinência, pois a multiplicidade dos temas e das obras divide-se em diversos capítulos, 17 no total: sobre o olhar e o poder masculino nas artes plásticas e a submissão, real ou fictícia, da mulher até às manifestações de revolta e, sobretudo, de independência de algumas mulheres artistas.
LAS INVITADAS. FRAGMENTOS SOBRE MULHERES, IDEOLOGIA E ARTES PLÁSTICAS EM ESPANHA (1833-1931)
Museu do Prado, Madrid (Espanha)
O percurso, num claro audioguia, vai da imagem da rainha à da prostituta, pobre ou de luxo, do retrato de aparato ao voyeurismo do nu, este com os mais diversos pretextos, da saída do banho à representação “histórica” da escrava, da mulher feita à criança impúbere, em imagens de uma pedofilia apenas disfarçada, impraticável no nosso tempo. Pedofilia e agressão que uma obra bem significativa documenta: “O Sátiro” (1908), de Antonio Fillol (1870-1930); imagem de um pátio de prisão onde uma menina se recusa a olhar para uma fila de reconhecimento onde se encontra o seu agressor. Acontece que, ao contrário das obras “pedófilas”, esta foi recusada por um júri.
Da mulher modelo, a mostra passa à mulher artista remetida a géneros considerados menores, a cópia, a natureza-morta, a miniatura, ou a artes “menores” também; não esquece, porém, aquelas mulheres artistas que souberam afirmar-se tantas vezes tendo o autorretrato como arma e manifesto de independência, como acontece com uma artista nascida em Portugal, Maria Roësset (Espinho, 1882-Manila, 1921).
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