Hoje falo eu - Florbela da Costa
Rosa Luxemburgo
A revolucionária polaco-alemã nasceu há 150 anos. Procurou inovar o marxismo. E a forma como viveu é uma lição extraordinária, inalterada pelo tempo, que fala a uma nova geração de militantes que optou por continuar as múltiplas batalhas que empreendeu. Por Marcello Musto.
Quando o seu nome foi mencionado, em agosto de 1893, para a presidência da assembleia, no Congresso da Segunda Internacional em Zurique, Rosa Luxemburgo ocupou o seu lugar sem demora, face ao público de delegados e militantes que enchia o abarrotado salão.
Era uma das poucas mulheres presentes na assembleia, ainda muito jovem, de estatura pequena e com uma deformação na anca que a obrigava a coxear desde os cinco anos. A sua aparência pareceu despertar entre os presentes a impressão de estar face a uma pessoa frágil.
Sem perder a ternura
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Cosmopolita, cidadã “do que virá”, assegurou sentir-se como em casa “em todo o mundo, onde quer que haja nuvens e pássaros e lágrimas humanas”. Apaixonada da botânica e amante dos animais, como se depreende da leitura da sua correspondência, foi uma mulher de extraordinária sensibilidade, que conservou intacta apesar das amargas experiências que a vida lhe reservou. Para a co-fundadora da Liga Espartaquista, a luta de classes não acabava com o aumento dos salários. Luxemburgo não queria ser um mero epígono e o seu socialismo nunca foi economicista.
Imersa nos dramas do seu tempo, procurou inovar o marxismo sem questionar os seus fundamentos. A sua tentativa é uma advertência constante para as forças da esquerda para que não limitem a sua ação política à consecução de paliativos suaves e não renunciem às ideias de mudar o estado de coisas existente. A forma como viveu, a habilidade com a qual conseguiu levar a cabo em paralelo a sua elaboração teórica e a agitação social, são uma lição extraordinária, inalterada pelo tempo, que fala a uma nova geração de militantes que optou por continuar as múltiplas batalhas que Luxemburgo empreendeu.
( Fonte: esquerda.net)

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